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2 cafeicultores de RO são premiados em concurso nacional em MG

Dois cafeicultores de Rondônia foram premiados nesta sexta-feira (22) no “Coffee of The Year 2019”, durante a Semana Internacional do Café, que reúne os melhores cafés do Brasil, em Belo Horizonte (MG). São eles: Dione Mendes Bento e Wilson Nakodah Suruí. Todos são produtores de café canéfora.

Essa é a primeira vez que um indígena é premiado no evento. Wilson Nakodah Suruí é da Aldeia Kabaney, em Cacoal (RO), e se classificou em 5º lugar. Já Dione Mendes Bento, que é do Sítio Rio Limão, também em Cacoal, ficou em 2º lugar

O 4º lugar ficou com o produtor Gustavo Sturm, da Fazenda Bom Retiro (BA). Os 3º e 1º lugares foram ocupados por cafeicultores do Espírito Santo.

O anúncio dos premiados foi feito na tarde desta sexta. No total, nove produtores rurais de Rondônia foram selecionados na primeira fase da seletiva. Eles estavam entre os 30 melhores do país. Depois, 10 foram classificados como finalistas da segunda fase. Desses, três representavam Rondônia.

Quem são os premiados de Rondônia?

Dione Mendes Bento (2º lugar)

O produtor é conhecido por fazer parte da família Bento, na região Matas, em Cacoal (RO). Com média de produção de 600 sacas por ano e até 400 sacas de cafés especiais, a família Bento faz questão de passar, de geração em geração, o amor pelo café.

O Sítio Rio Limão, onde vivem em produzem café, por exemplo, foi eleito por três vezes consecutivas em um concurso estadual como o mais sustentável do estado.

“Primeiramente a gente agradece a Deus e é um privilégio muito grande, pois ano passado a gente ficou em 4º lugar e, agora, estamos em segundo. Devagarzinho nós vamos levando o título para Rondônia”, vibrou o premiado.

Wilson Nakodah Suruí (5º lugar)

O único indígena a encaminhar amostras de café e estar entre os premiados no “Coffee of the Year 2019” começou a produzir em 1988. Chegou a parar por um tempo em uma época de crise do café no estado, mas, depois do ano 2000, voltou a investir na lavoura. Até 2013, Suruí tinha lavoura de café seminal (semente).

A partir de 2014, introduziu o café clonal na produção e, atualmente, conta com a ajuda dos três filhos. Em cinco hectares, Wilson Suruí produziu, por exemplo, pouco mais de 170 sacas. A lavoura do indígena é irrigada, tem produção orgânica e é sem uso de agrotóxico.

“Eu agradeço a Deus, me dá coragem para fazer tudo isso. Quero dar exemplo ao nosso país”, disse o indígena.

‘Coffee of The Year’

Criado em 2012, o concurso e a premiação Coffee of The Year (COY) objetiva eleger os melhores cafés arábica e canéfora do Brasil através do voto popular e avaliação de juízes nacionais. Ele reúne duas espécies de café: arábica e canéfora.

De acordo com a organização, a seletiva ajuda a incentivar “o desenvolvimento e aprimoramento da produção nacional e a divulgação de novas origens do café”.

No total, o COY conta com duas fases. Na primeira, segundo a organização, os candidatos enviam as amostras, que são torradas e provadas por profissionais Q-Graders licenciados pelo CQI (Coffee Quality Institute).

Já na segunda parte, são selecionadas as 180 melhores amostras, que participam das mesas de cupping e são provadas por compradores nacionais e internacionais.

Ainda conforme a organização, destas amostras, as 15 melhores classificadas são preparadas e disponibilizadas para degustação às cegas e voto do público (10 amostras de arábica e 5 de canéfora). A revelação e premiação do melhor café do ano, que ocorre no último dia do evento, é aberta ao público.

Avanço do café rondoniense

Segundo o engenheiro agrônomo e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Enrique Alves, por conta do uso de tecnologias como materiais clonais de qualidade, irrigação, novos arranjos espaciais e podas de ciclo e renovação, Rondônia “conseguiu sair de um patamar de 10 sacas de café por hectare para 35 sacas”, por exemplo.

“Isso significa menor custo de produção e mais sustentabilidade. São cerca de 17 mil produtores familiares que tiram o seu sustento da cafeicultura. E garantem a qualidade de vida e sucessão no campo”, explicou.

Fonte: G1.Globo

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