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Após 25 anos, Maria Cândida troca TV por internet

Um pau de selfie na mão e uma ideia na cabeça é (quase) tudo o que Maria Cândida, 47, precisa em seu novo projeto, um canal de YouTube próprio com programação semanal de três vídeos, publicados às terças, quintas e domingos.

Até aí, tudo normal. Mais uma influenciadora a engordar a caudalosa lista de youtubers nacionais. A questão, contudo, é que durante 25 anos Maria foi figurinha carimbada em diferentes canais de televisão brasileiros. De moça do tempo do Jornal Nacional (Globo) a repórter do Domingo Legal (SBT) apresentado por Gugu, Cândida fez de tudo um pouco nas telinhas.

Apresentou o Globo Rural (Globo), alguns Oscars e participou do reality show Aprendiz Celebridades, comandado por Roberto Justus. Nos últimos dois anos, era a responsável pelo Manhã Leve, na TV Aparecida.

Mas parece ter se cansado um pouco. “Claro que tive muito receio de fazer essa mudança”, confessa a apresentadora. “Nem digo que estou saindo da TV, mas queria me focar no digital. Era tanta coisa para fazer, tanto trabalho, que não sobrava tempo para nada.”

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“Eu acredito nesse mundo novo, eu gosto da internet”, diz Maria. “O grande problema é que as pessoas ainda acham que trabalhar na Internet não é trabalho. É trabalho sim. Para a gente que é jornalista, no caso, é um trabalho de comunicação, usar informações para gerar pautas.”

O canal abriga vídeos produzidos e estrelados por ela e tem conteúdo com ares de programas de variedades, com publicações que incluem desde o modo correto de se colocar talheres na mesa até entrevistas com o Mister Guarulhos ou uma reportagem sobre quimonos. “É um canal com uma pegada feminina”, conta. “Não estou entrando nessa porque é legal a mulher empoderada, mas sim porque é a minha verdade.”

“Não sei se sou uma youtuber, sei que estou lá agora”, diz Maria. “Eu me considero repórter e vou ser repórter minha vida inteira. Vou bastante para a rua [fazer os vídeos] por mais que não seja isso o que a internet está virando. Quando você sai para a rua e vê a situação de perto, é muito diferente do que só ficar comentando as coisas.”

A paixão de Maria Cândida pela internet é relativamente nova. Ela começou a “trabalhar” no Instagram há apenas seis meses. “Trabalho pesado”, comenta. Sua conta na rede social, com cerca de 220 mil seguidores, demanda uma atenção quase constante e se debruça sobre o dia a dia da jornalista.

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A exposição ao público não costuma incomodar. “Até por ter começado na Globo, era comum as pessoas pararem na rua e me perguntarem como seria o tempo hoje, ou me criticarem por ter errado a previsão”, conta Maria, que foi responsável pela previsão do tempo do Jornal Nacional entre 1996 e 1998. “Minha forma de responder normalmente é com bom humor. Mas em casos específicos me senti confortável em simplesmente sair do Instagram por uma semana e não falar absolutamente nada.”

Em janeiro deste ano, Maria terminou um relacionamento de oito meses com o consultor financeiro Mauro Calil. O casal ganhou notoriedade após Mauro pedir a jornalista em namoro durante o programa que ela apresentava. O término do casal via WhatsApp, exposto por Mauro em sua própria conta, acabou gerando repercussão nas redes sociais.

“Fiquei incomodada com a exposição que teve, mas sei que sou responsável por ela também”, diz Maria. “Existem muitos justiceiros digitais, mas ninguém sabe o que aconteceu. Nem quero falar sobre isso, foi uma coisa que passou e inclusive apaguei o que escrevi sobre o assunto [nas redes sociais]. O importante é refletir e aprender depois dos erros. Não significa que nunca mais vou errar, mas que pelo menos estou aprendendo.”

E não apenas na vida pessoal. “Eu gosto de aprender. Todo repórter gosta. Fiz um monte de coisas diferentes e em todas elas aprendi algo”, diz. “Não tenho medo de levar paulada, eu assumo. Essa ideia do canal é uma volta ao início. Não penso nem em ter retorno [financeiro] agora.”

“Vejo muito do que fiz na televisão e do que penso para o YouTube e vejo que são formatos diferentes, mas que o modus operandi é basicamente o mesmo”, diz Maria, que aponta que mulheres de 40 a 60 anos compõem a maior parte do seu público.

“Essa mulher, ela quer se conectar. Ela sabe que o mundo está mudando. E eu quero conectar essa mulher que acha que YouTube é coisa de adolescente. Ou você começa a querer aprender, ou vai ficar para trás”, completa.

Para trazer esse público ao mundo digital, contudo, vale lançar mão até dos meios mais analógicos. “Faço muito corpo a corpo e quando digo isso é corpo a corpo mesmo”, brinca. “Encontro as pessoas na rua e falo que comecei um canal, mas muita gente não sabe procurar por ele. Então fiz uns santinhos para o canal, que nem esses de políticos, ensinando como acessá-lo.”

“Quero ter 70 anos e ser uma senhorinha do YouTube”, brinca. É bom já ir fidelizando o público. Com informações da Folhapress.

Fonte:Noticia ao Minuto

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