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Arcebispo de RO eleito ao pós-Sínodo diz que desmatamento na Amazônia desrespeita ‘o ritmo da criação’

Dom Roque Paloschi, uma das vozes protagonistas no grito pela preservação da região amazônica, está entre os quatro brasileiros eleitos durante o Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, convocado pelo Papa Francisco para compor o conselho pós-sinodal.

Agora, segundo o arcebispo de Porto Velho, o objetivo é colocar em prática os pontos determinados no documento final da reunião sob a decisão do pontífice.

“Foram eleitas 13 pessoas dos participantes, mas o Papa vai incluir mais, entre eles mulheres, indígenas, pessoas da região amazônica para que verdadeiramente não seja uma comissão só de bispos, só de padres, mas uma comissão com a presença do povo de Deus nas suas variantes”, detalhou o bispo.

Além de Dom Roque, que também é presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), foram eleitos os seguintes representantes do Brasil: bispo emérito de Xingu (PA), Dom Erwin Krautler, Cardeal Cláudio Hummes, que é relator-geral do Sínodo, e Dom Alberto Taveira, bispo de Belém (PA). Do total de 185 participantes, aproximadamente 50 eram do Brasil.

O local para o primeiro encontro do conselho ainda não foi definido. Mas a previsão é de que ocorra em janeiro de 2020.

Bispos de nove países que fazem parte do bioma amazônico participaram, entre os dias 6 e 27 de outubro deste ano, da reunião que levantou discussões dos principais problemas da Amazônia junto à comunidade, no Vaticano.

Dom Roque

Nascido em Lajeado, município a cerca de 112 quilômetros de Porto Alegre (RS), o arcebispo Dom Roque Paloschi já dedicou 15 de seus 63 anos à região amazônica. Primeiro passou por Roraima e, agora, vive em Rondônia. Ele é um dos poucos que presencia as ameaças que afetam a floresta amazônica e, consequentemente, os indígenas.

“O que está sendo destruído é mais do que a vida de uma pessoa. É a vida do planeta. E nós somos responsáveis na medida em que nós vamos poluindo e envenenando as terras, as águas, o ar. Isso vai provocando a morte. Então por isso, as ameaças à vida são muito sérias quando não se respeita nem o ritmo da criação”, explicou.

Dom Roque também disse que não tem medo de represálias, já que para ele, o objetivo da igreja é apresentar ao mundo um retrato “desta realidade nua e crua que traz sofrimento, que traz morte, que traz exclusão do direito à vida para muitas pessoas da Amazônia”.

“Porque nós não temos absolutamente nada a temer. Estamos dizendo que, no ritmo que nós vamos, nós podemos chegar a uma encruzilhada. Popularmente um beco sem saída. Porque nós sabemos que, no mundo, as questões não se resolvem por muros. Mas se resolvem por pontes de solidariedade”, complementou.

Polêmica no Sínodo à Amazônia

Entre os temas polêmicos abordados durante o Sínodo para a Amazônia está o da ordenação de homens casados. O objetivo, segundo os bispos, seria suprir a falta de padres na Amazônia. Nas palavras de Dom Roque Paloschi, por 1.050 anos padres casavam. No Oriente, por exemplo, há padres casados.

O arcebispo concorda que, hoje em dia, há comunidades que não têm a possibilidade de ter um ministro ordenado padre nas condições atuais determinadas pela Igreja Católica, como por exemplo, a celebração da eucaristia mais de duas vezes por ano.

“O atendimento da confissão, a unção dos enfermos e aquilo que é próprio do ministro ordenado. O sínodo apresenta para o Papa esse desafio”, disse.

Ainda sobre o assunto, o documento do Sínodo revela que não se entrou em debate eliminar o celibato dos padres, mas sim de a Igreja dar espaço para que haja uma ordenação dos homens reconhecidos pela comunidade e que tenham a formação adequada. “Ninguém é contra o celibato. O celibato é um dom, uma preciosidade de Deus”, informou Dom Roque.

Outro ponto polêmico levantado na reunião é sobre o diaconato feminino. Papa Francisco chegou a montar uma comissão no Vaticano com intuito de analisar o assunto e entender como era no passado.

“A igreja já teve no passado, como nós podemos ver na carta de Paulo aos Romanos, uma diácona lá aparece e historicamente depois passou para os homens”, relembrou o arcebispo.

“Mas o que nós queremos dizer é que a condição de batizado coloca todas as pessoas, você que é mulher e eu que sou homem, no mesmo pé de igualdade. Porém, com funções diferentes dentro da comunidade”.

Também entre as propostas mais importantes apresentadas no Sínodo à Amazônia estão: o alerta sobre a destruição da Amazônia, as ameaças à vida, as migrações, os mártires amazônicos, a urbanização da Amazônia e a demarcação de terras indígenas.

O que é o Sínodo?

Do grego “sýnodos”, significa reunião. Ou seja, pode ser qualquer reunião entre os católicos. Em 1965, Paulo VI criou o Sínodo dos Bispos. A ideia é reunir Papa e Bispos para discutir temas importantes de cunho religioso ou não. Sínodo dos jovens e família é o antecessor da Amazônica.

“O sínodo é caminhar juntos, mas também chama-se sinodalidade, dar continuidade, um processo de escuta e de decisões que sejam assumidas corresponsavelmente. Não é decisão do padre, do bispo, do Papa, mas é uma decisão da igreja e a igreja assume conjuntamente”, explicou Dom Roque Paloschi.

O sínodo que tratou sobre a Amazônia foi convocado em outubro de 2017 pelo Papa Francisco. A ideia, segundo o Vaticano, foi debater as dificuldades de a Igreja atender os povos da região, especialmente os indígenas.

Fonte: G1.Globo

 

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