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Duas pessoas de RO continuam internadas após quase 5 meses de contaminação com bactéria rara

Um dos pacientes está na UTI e a outra na enfermaria do Hospital Regional de Cacoal. Outros três contaminados já receberam alta e se recuperam em casa.

Pacientes estão no Hospital Regional de Cacoal — Foto: Rogério Aderbal/G1/Arquivo

Após quase cinco meses, um homem e uma mulher, contaminados pela bactéria Clostridium botulinum, causadora da doença de “Botulismo”, seguem internados no Hospital Regional de Cacoal (RO), município a 480 quilômetros de Porto Velho.

Além deles, outras três pessoas foram contaminadas e precisaram ficar internadas, mas já se recuperam em casa. Eles foram contaminados no dia 10 de fevereiro deste ano, após um almoço na cidade de São Miguel do Guaporé (RO).

O homem que continua internado está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo a médica responsável pelo tratamento, a infectologista Lorena Tavares, o paciente poderia estar em uma enfermaria. Porém, na UTI, ele recebe uma assistência mais adequada ao caso.

A médica garante que o paciente está evoluindo ao tratamento, mas a recuperação é lenta, como já era esperado pelos profissionais.

“Ele está na UTI mais por questões de suporte clínico, pois com ele lá conseguimos o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. Daria de estar em uma enfermaria, mas, por prudência, achamos melhor mantê-lo na UTI. Ele ainda apresenta fadiga, se cansa com facilidade. Por isso, ainda necessita do suporte do ventilador mecânico para ajudá-lo a respirar”, explicou a médica.

A outra paciente está na enfermaria e apresenta uma boa evolução ao tratamento. Conforme Lorena, a mulher já conversa.

“Ela ainda não consegue comer pela boca, mas está sendo estimulada e treinada para isso. Caso ela continue com a evolução que vem apresentando, nossa expectativa é dar alta para nas próximas semanas”, garantiu a infectologista.

De acordo com a médica, os outros três pacientes que já receberam alta, no entanto não estão totalmente recuperados. Eles ainda precisam de alguns cuidados médicos, mas todos andam, comem e conseguem executar todas as necessidades diárias.

“Eles já conseguem ter uma vida normal, mas ainda precisam de suporte médico até para sabermos se não tem nenhuma intercorrência. Mas estão fora da zona de risco e esses músculos que estão se movimentando, tendo contrações vão ficar mais forte, conforme for fabricando novas terminações nervosas. Isso é com tempo e ao longo de alguns meses tudo deverá voltar ao normal na vida deles”, afirmou Lorena.

Para a médica, o que contribuiu para salvar a vida dos pacientes foi o reconhecimento precoce da contaminação, o soro antibotulínico ter sido enviado rápido, a conduta da epidemiologia e a condução da equipe médica oferecendo o tratamento adequado aos pacientes.

Entenda o caso

Durante um almoço de domingo, oito pessoas de uma mesma família, foram contaminadas pela bactéria Clostridium botulinum, que causa a doença chamada de “Botulismo”. A bactéria foi contraída, após comerem uma maionese.

Cinco pacientes foram internados na UTI do Hospital Regional de Cacoal. Os outros três, sendo um adulto e duas crianças, permanecem em São Miguel, onde moram, já que não precisaram de internação. O setor de vigilância em saúde de Cacoal alerta que não foi confirmado surto de Botulismo em Rondônia e sim a uma localidade restrita.

A coordenadora de vigilância em saúde de Cacoal, Ivani Gromann, explica que Botulismo é uma doença bacteriana rara, grave, podendo ser fatal e não contagiosa. Essa bactéria rara pode entrar no organismo por meio de machucados ou pela ingestão de alimentos enlatados preservados de forma inadequada.

“Horas após a pessoa ingerir o alimento contaminado já começa a apresentar visão dupla e em seguida uma paralisia progressiva, que atinge boca, olhos e os principais órgãos. Se não tratada pode levar ao óbito”, explicou Gromann.

E foram esses os sintomas que os membros da família apresentaram logo após o almoço. Eles foram transferidos para Cacoal, onde foram medicados com o soro antibotulínico, enviado para o município por meio de transporte aéreo de Brasília (DF) e Porto Velho.

Ivani explicou que a maioria das bactérias do Botulismo está presente principalmente nos alimentos enlatados. Apesar de exames terem sido feitos nos alimentos ingeridos pela família, não foi possível confirmar de qual alimento partiu a bactéria. Já os pacientes passaram por exames e houve confirmação de Botulismo.

Por Magda Oliveira, G1 Cacoal e Zona da Mata

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