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Em nova parada de giro sul-americano, Guaidó visita Equador e diz que dali retorna para a Venezuela

Opositor de Nicolás Maduro visita quinto país esta semana em busca de mais apoio para tentar derrubar regime chavista. Ao voltar a território venezuelano ele pode ser preso porque há ordem que o impedia de sair; autoproclamado presidente interino convocou novas manifestações.


Juan Guaidó e Lenín Moreno se encontraram em Salinas, no litoral equatoriano — Foto: AFP/Rodrigo Buendía

O líder oposicionista venezuelano Juan Guaidó viajou se reuniu neste sábado (2) com o presidente equatoriano Lenín Moreno. O autoproclamado presidente interino disse que voltará ao seu país a partir do Equador, mas não detalhou quando. O retorno de Guaidó está envolto em tensão porque ele poderia ser preso, já que viajou contrariando uma ordem judicial que o proibia de deixar a Venezuela.

“Anuncio meu regresso para casa a partir do Equador, país irmão, que hoje também reinicia relações produtivas para nossos povos, para enfrentar não apenas a crise migratória, mas também o flagelo da corrupção”, disse.

Assim, a visita ao Equador deve ser a última parada do giro do presidente autoproclamado pela América do Sul. Ele já esteve na Colômbia, no Brasil, no Paraguai e, na última parada, na Argentina, onde se reuniu nesta sexta com o presidente Mauricio Macri.

Guaidó convocou novas manifestações e pediu ao povo venezuelano que tome as ruas na segunda e terça-feira. “Apesar de também ser carnaval na Venezuela”, considerando que “temos pouco para comemorar e muito para fazer, por isso vamos pedir protestos nesses dias. Sempre dentro da Constituição”.

Guaidó na prisão?

Seu retorno é um desafio para Maduro, que deve decidir se vai prendê-lo e provocar uma forte reação internacional ou deixá-lo entrar no país com tranquilidade, minando sua autoridade.

“Por um lado, temo que ele retorne e o coloquem na prisão e teremos outro Leopoldo (López). Mas, por outro, quero que ele volte com a esperança de que o país mude”, disse Iskia Urdaneta, uma advogada de 37 anos, em referência ao mentor de Guaidó, que cumpre uma pena de quase 14 anos, atualmente em prisão domiciliar.

Reconhecido por mais de 50 países como presidente interino, Guaidó deixou a Venezuea há 10 dias para assistir a um festival na cidade fronteiriça colombiana de Cúcuta e apoiar a entrada de ajuda humanitária. Ele prometeu retornar, “apesar das ameaças”, para continuar com sua estratégia de conseguir um governo de transição e eleições “livres”.

“Ele vem com mais apoio internacional, apoiado pelos Estados Unidos e sua ameaça de agir mais fortemente se o tocarem, mas corre o risco de ser preso ou ter sua integridade física agredida”, disse à AFP o cientista político Luis Salamanca.

Os Estados Unidos, que não descartam uma opção militar na Venezuela, alertaram que, se algo acontecer a Guaidó, haverá “sérias consequências”.

“O governo terá que avaliar os custos e isso dependerá da credibilidade dos Estados Unidos em dar um passo além da retórica”, disse Felix Seijas, do escritório Delphos.

Vencer o medo

Maduro disse há poucos dias que Guaidó, chefe do parlamento de maioria opositora, deveria “respeitar a lei” e que, se voltar ao país, “terá que ver a face da justiça”.

A Suprema Corte de Justiça (TSJ) e a Procuradoria-Geral, aliadas do governo, abriram investigações contra Guaidó, acusando-o de “usurpação” de funções e determinaram, além do impedimento de saída, o congelamento de seus bens. No entanto, até agora ele não foi formalmente acusado.

“Sua vida corre perigo porque não há Estado de direito neste país, mas Maduro não é um bruto, ele sabe que está cercado. Guaidó não está sozinho, ele tem apoio internacional, embora não queiramos uma intervenção militar”, disse Solibet Hernández, um comerciante de 46 anos.

Para Luis Quintero, um professor de 64 anos que é um seguidor de Maduro, o opositor “deveria ter uma ordem de detenção e deverá responder em juízo assim que pisar em território venezuelano”.

“É hora de vencer o medo. Seu retorno será uma etapa crucial na mudança que está chegando, Guaidó representa a esperança, e qualquer ação tomada contra ele pode ter sérias consequências para a ditadura”, disse outro venezuelano, Mauricio Marcano, de 32 anos.

‘Usurpador’

Guaidó, de 35 anos, se autoproclamou presidente em 23 de janeiro após o Congresso ter declarado Maduro “usurpador” por ter assumido em 10 de janeiro um segundo mandato que, como grande parte da comunidade internacional, considera ilegítimo e resultado de uma reeleição “fraudulenta”.

“Se ele não retornar, a ‘causa’ opositora sofreria um grande revés que teria que ser resolvido com grande habilidade. A capacidade de Guaidó de agir internamente é reduzida a convocação de concentrações e logo não haverá ‘material’ para manter esse espírito”, adverte Seijas.

Daniel Acosta, estudante universitário de 24 anos, diz acreditar “no que Guaidó está fazendo”, mas reconheceu que “se ele não vier, será uma nova frustração” para muitos.

Guaidó, que Maduro acusa de ser um fantoche dos Estados Unidos, foi detido em 13 de janeiro por quase uma hora pelo serviço de inteligência, episódio condenado por vários países e do qual o governo se distanciou, assegurando que os agentes agiram unilateralmente.

Fonte: G1.Globo

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