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Impunidade incentiva o desmatamento no Brasil, diz estudo

Um estudo de uma organização dos direitos humanos concluiu que a impunidade incentiva o desmatamento no Brasil. Raimundo Santos Rodrigues denunciou em 2015 um empresário por exploração ilegal de madeira, na Reserva Biológica do Gurupi, no Maranhão. “Ele chegou lá, tocando fogo nos barracos e queria passar com o carro por cima das crianças e dos adultos. Vive ameaçando o povo com pistoleiro”, contou. Meses depois, morreu numa emboscada. Em 2017, uma chacina deixou nove agricultores mortos na cidade de Colniza, em Mato Grosso. Segundo a polícia, estavam amarrados e com sinais de tortura. Em março de 2019, Dilma Ferreira Silva foi morta a facadas em Baião, no Sudeste do Pará. Ela era ativista ambiental. A polícia suspeita que o mandante seja um empresário ligado à extração ilegal de madeira. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, mais de 300 pessoas morreram assassinadas nos últimos dez anos na Amazônia. Os números da Comissão Pastoral da Terra serviram de base para um estudo da Humans Rights Watch, uma organização internacional que atua na defesa dos direitos humanos em mais de 40 países. Os pesquisadores fizeram quase 200 entrevistas, durante dois anos. O relatório concluiu que os crimes ambientais, que abrem espaço para o gado e para as lavouras, ameaçam as matas e a vida de quem enfrenta o desmatamento. As maiores vítimas são indígenas, pequenos agricultores e também fiscais e policiais ambientais que patrulham a floresta. “São pessoas que não têm onde ir, essa é a terra deles. Eles veem passar caminhões cheio das toras. E o que eles fazem? Eles estão vendo destruição”, disse César Muñoz, pesquisador da Human Rights Watch Brasil. A Human Rights Watch afirma que a impunidade é um incentivo à derrubada da floresta. Dos mais de 300 assassinatos listados no relatório, só 14 foram a julgamento – menos de 5% do total. O relatório analisou dados de 2009 a 2018 e, com base em entrevistas com promotores de Justiça, policiais e outros agentes públicos, fez uma análise, sem números consolidados, dos primeiros meses do atual governo. Segundo a organização, o governo Bolsonaro tem agido de forma agressiva para diminuir a capacidade do país de fazer cumprir suas leis ambientais. Como exemplo, aponta para a redução do orçamento do Ministério do Meio Ambiente em 23% e a eliminação de fundos de fiscalização e combate a incêndios na Amazônia. O documento cita também a demissão de 21 dos 27 diretores regionais do Ibama e acusa o governo de adotar políticas que sabotam o trabalho dos agentes que permaneceram. “Obviamente que tem que fortalecer as agências de fiscalização, não só com recursos, mas com autonomia para atuarem, sem medo a represálias. E finalmente, para o Congresso nós estamos pedindo uma Comissão Parlamentar de Inquérito, audiências públicas para tratar desse problema, que é o problema dos brasileiros e da sociedade, não é um problema só do governo federal”, afirmou Muñoz. O Palácio do Planalto não quis comentar o relatório. A equipe do Jornal Nacional não teve retorno do Ministério do Meio Ambiente. A Polícia Federal afirmou que investiga ações criminosas que poderiam estar ligadas aos fatos narrados no relatório, mas que é prematuro apontar ações específicas ou grupos que estariam envolvidos. Fonte: G1.Globo

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