Mulher que levou três tiros em assalto ganha casa sustentável feita por estudantes de RO

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Priscila Carla Lopes Goes, foi vítima de um assalto em outubro de 2018 e durante o crime, foi atingida por três tiros. Como consequência dos ferimentos no braço e no tórax, ela ficou impossibilitada de trabalhar, o que deixou a família dependente de ajuda.

Em março de 2019, com uma pequena melhora, Priscila resolveu ir para o terreno que tem na zona sul de Porto Velho, para se livrar do aluguel.

“Eu vim pra cá na raça e na coragem e comecei a ir nos meios dos matos catar paus, telhas, o que eu achava jogado. No lixão eu consegui uns compensados e eu mesma fui trazendo, arrastando. Minha barriga doía muito”.

Um homem apareceu e resolveu ajudar ela a montar o barraco. O desejo de Priscila era trazer os filhos, de 7 e 8 anos, de volta para perto de si. No entanto, a moradia era extremamente precária. Construído com telhas e madeira do tipo compensado, o barraco não tinha itens básicos como banheiro e água.

Ao ver a situação da família em um vídeo postado na internet, a acadêmica Vera Almeida chamou colegas da universidade para iniciar a primeira construção do que chamaram de “Projeto Tijolinho”.

A intenção é colocar em prática conceitos além dos aprendidos na faculdade. Com isso, o grupo se uniu para reformar e construir casas para famílias de baixa renda usando materiais ecológicos. Eles têm o sonho de construir a casa mais sustentável e mais barata do Brasil.

Quase todos do grupo cursam engenharia de produção, mas há também uma aluna de nutrição na equipe. Ela é responsável por planejar e montar a horta que vai proporcionar alimentação mais saudável as famílias. O pai de um dos alunos colabora dando instruções nos trabalhos da construção.

A atividade não é vinculada à instituição de ensino onde o grupo estuda e os recursos para a obra são arrecadados com rifas e doações de colegas da faculdade.

“A gente entende que não tem lógica você passar cinco anos dentro de uma faculdade fazendo um curso de graduação e limitar seu aprendizado àquele espaço físico. Você está aprendendo o que de fato se não põe à prova o conhecimento que está adquirindo?”, reflete.

“Eles chegaram até mim e falaram que iam construir minha casa, eu nem acreditei, porque hoje em dia a pessoa que tem amor no coração, e se coloca no lugar do outro, tá difícil. E eles vieram mesmo, arregaçaram as mangas”, lembra a dona de casa.

Por conta dos riscos enfrentados no barraco de madeira, ela precisou mudar para a nova casa antes mesmo da conclusão da obra. A residência feita pelos estudantes é pelo menos cinco vezes maior que o barraco e tem banheiro, fossa, poço e um filtro de água.

Prestes a completar 32 anos e com a casa na fase de acabamento, Priscila conta com doações para mobiliar a casa. Sem móveis, eles ainda dormem no chão e não têm onde guardar roupas e utensílios.

“Sou muito grata a Deus que hoje eu tenho teto pra dormir, tenho uma casa digna, um banheiro”, revela.

A líder do Projeto Tijolinho destaca que além de exercício da solidariedade, a construção é também laboratório para desenvolver novas tecnologias sustentáveis como tijolos com embalagens de garrafas de vidro, forro com caixas de leite e cerâmica feita partir de tampinhas de garrafa pet.

“Nosso objetivo é desenvolver a casa sustentável mais barata do Brasil. Acessível a qualquer pessoa que ganhe um salário mínimo ou até menos”, diz Vera.

Débora Maia, que trabalha fazendo e vendendo doces gourmet, é uma das voluntárias do Tijolinho. Ela teve que aprender trabalhos de pedreira quando entrou no projeto.

“Eu não tinha nenhuma experiência, aprendi do zero e foi uma experiência bem diferente porque eu vim do mundo dos doces e a construção me tirou da zona de conforto. A gente aprende, tem um novo conhecimento, nova visão das coisas”, conta.

Cleide Pereira foi convidada para conhecer o projeto, gostou e agora ajuda fazendo massa de cimento, nivelando tijolos e reciclando itens.

“É muito gratificante você empregar todo o conhecimento do curso em algo que vai beneficiar outra pessoa. A gratificação dessas pessoas em ter onde morar, dormir e acordar tranquila é muito bom. Às vezes a gente tem tanto na nossa casa. A gente não é rico, mas a gente tem um certo conforto porque trabalha muito e outras pessoas não conseguem trabalhar. Por algum motivo, estão impossibilitadas. Vamos ajudar então, não dói e é muito bom”, avalia.

Fonte: G1.Globo

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