Pesquisadores de RO descobrem espécie de mosquito-palha que pode fazer parte do grupo transmissor da leishmaniose

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Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) descobriram uma nova espécie de um inseto conhecido como mosquito-palha em Rondônia. O estudo envolveu profissionais do estado e também do Amazonas. Agora, o próximo passo é averiguar se ele está entre os transmissores da Leishmaniose.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), a doença, que é grave, é classificada nas formas tegumentar (que causa feridas na pele) e visceral (podendo levar à morte em 90% dos casos quando não tratada) (entenda abaixo). Outras quatro novas espécies que fazem parte de um grupo de insetos que pode transmitir a doença foram registradas este ano pelos pesquisadores.

Em Rondônia, são pelo menos mil novas vítimas todos os anos para a forma tegumentar. Algumas espécies do mosquito-palha são vetores do protozoário causador da doença. Basta apenas uma picada de uma fêmea infectada para contrair a Leishmaniose.

Conhecidas popularmente como “mosquitos palha”, as fêmeas de flebotomíneos são as responsáveis por transmitir os protozoários parasitas do gênero Leishmania, causador da doença.

Os estudos da Fiocruz começaram há dois anos. O levantamento ocorreu em dois pontos específicos de Rondônia: a Floresta Nacional do Jamari e a Floresta Estadual de Guajará-Mirim. Pequeno, o mosquito consegue se adaptar bem em áreas de mata.

“Essa espécie foi caracterizada com base nas diferenças em sua estrutura corporal. E a partir de algumas armadilhas específicas, nós conseguimos trazer aqui para o laboratório, fazemos a identificação”, disse o pesquisador em biologia Antônio Marques.

Após a coleta e análise das amostras, os pesquisadores conseguiram entender qual a estrutura morfológica do inseto. Mas ainda querem saber se ele também está entre os transmissores da Leishmaniose.

“É isso que nós estamos tentando descobrir a partir de agora. É o próximo passo. Nós faremos mais coletas nos ambientes aqui de Rondônia, em ambientes de mata, trazer aqui para o laboratório e verificar se essa pode ser uma espécie com importância epidemiológica”, reformou Marques.

Embora comprovadamente apenas 12 tipos de mosquito-palha identificados em Rondônia são transmissores da doença, a nova descoberta aumenta para 13 o número de espécies do inseto registradas no estado.

“Esses são os insetos que estão associados a transmissão de doenças. Então alguns estudos que ainda estão sendo analisados pela nossa equipe têm mostrado que ainda há outras espécies a serem descobertas e que nós temos um potencial de biodiversidade muito grande”, finalizou a pesquisadora Genimar Rebouças Julião.

O que é a leishmaniose?

A leishmaniose é uma doença grave causada por um protozoário, que acomete não somente os cães, mas também os seres humanos, e muitas vezes pode ser fatal. A doença pode atingir a pele, células sanguíneas e órgãos internos como fígado, baço e rins.

A doença é transmitida pelo mosquito flebotomíneo, conhecido popularmente como “mosquito-palha”. Este mosquito se infecta ao picar um animal ou ser humano já doente, e ao picar outro ser sadio transmite a doença.

Tratamento

Atualmente, o Ministério da Saúde (MS) classifica a leishmaniose em dois tipos. A Tegumentar Americana pode apresentar as formas clínicas cutânea e mucocutânea e inclui sintomas como úlceras na pele e mucosas. Já o paciente acometido pela Visceral pode apresentar febre de longa duração, perda de peso, anemia, aumento do fígado e baço, entre outros sintomas.

Segundo o MS, o tipo Tegumentar é responsável por cerca de 21 mil casos anuais no país. Já o tipo Visceral tem, em média, 3,5 notificações a cada ano. Nos dois casos, o tratamento é feito com uso de medicamentos específicos.

A Fiocruz lembra que o tratamento da leishmaniose em Rondônia é encabeçado pelo Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cemetron), responsável pela distribuição dos medicamentos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) – o único tratamento eficaz conta com doses diárias de vacina.

Dependendo da gravidade do caso e do ferimento, o tratamento pode durar de um a seis meses.

A doença em Rondônia

Entre 2017 e 2018, foram registrados 2.175 casos de leishmaniose somente em Rondônia, conforme a Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa). Nos primeiros meses de 2019, a Agevisa já contabilizou 226 registros da doença no estado, o equivalente a cerca de 10% dos casos no últimos dois anos.

Ainda segundo o balanço da Agevisa, dez municípios concentram sozinhos 56% do número total de notificações no estado. São eles a capital Porto Velho e os municípios do interior como Ariquemes, Cacoal, Cujubim, Espigão do Oeste, Ji-Paraná, Machadinho do Oeste, Pimenta Bueno, Rolim de Moura e Vilhena.

Fonte: G1.Globo

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