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Porto Velho ‘fechou’ mais de 12 cinemas desde 1912; relembre a História da sétima arte local

O começo do movimento audiovisual em Rondônia transitou entre percalços e monopólios. O G1 conversou a historiadora Dra. Yêdda Pinheiro Borzacov, que pesquisou a trajetória da sétima arte na capital rondoniense através do livro “Porto Velho: Imagens Culturais“.

Entre apitos de trens e cachoeiras, o espaço urbano de Porto Velho, na década de 1910, foi pintado como uma selva moderna. Durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a cultura proletária urbana usava o cinema como lazer alternativo.

“Não só os funcionários da Madeira-Mamoré, mas como toda população de Porto Velho. Foi uma comunicação de massa que existia logo no início do povoado”, comenta Yêdda.

A primeira sala cinematográfica que se tem registro se chamava O Cinema, que a partir de 1912, em homenagem ao povo indígena, mudou seu nome para Caripuna*.

A sala funcionou na avenida Sete de Setembro, no cruzamento da avenida Presidente Dutra. As projeções eram feitas a partir de um pequeno aparelho comprado de um francês.

Nas pesquisas, a professora Yêdda descobriu que o Caripuna funcionou até que o Cine Theatro Phoenix foi inaugurado. Ele se instalou em uma casa de diversão, na rua da Palha, que atualmente é conhecida como rua Natanael de Albuquerque, no centro da capital.

Talvez por ironia do destino, o prédio do Cine Phoenix foi destruído por um incêndio.

“Quando falamos de cinema você pode supor que era um prédio, mas não era. Naquela época, no início da povoação de Porto Velho era só uma sala. Em 1912 não iam construir um prédio numa rua que só tinha casa de palha, daí o nome “rua da Palha”, comenta Yêdda. Lembrando que a tecnologia da época para se fazer as salas de projeção vinha de fora do país.

Como o Cine Phoenix não ressurgiu das cinzas, outro cinema em novo endereço foi construído. O espaço recebeu o nome de Cine Rosas, na travessa Henrique Dias, esquina com rua José de Alencar.

Outro marco importante foi o Cine Rocha, localizado na avenida Sete de Setembro. Ele foi comprado pelo libanês George Resky, que mudou o nome para Cine Catega.

Resky é lembrado como ponto chave na história do cinema local, principalmente porque no final dos anos 30 fez uma ampla reforma no Catega e mudou o nome para Cine Brasil, o primeiro cinema sonoro de Porto Velho.

Ele coloria a calçada de verde e amarelo, contava com 512 poltronas e resistiu durante mais de seis décadas, finalizou suas atividades em 2007.

Ainda George Resky, em 1950 construiu um prédio muito moderno para época, e o chamou de Cine-Teatro Resky, que atuou até 1970. Atualmente, no prédio funciona uma igreja evangélica, que preservou a fachada original do cine teatro.

Nos anos 60, foi construído o Cine Lacerda. “Não tinha teto, era ao ar livre. A gente ia cedo para sentar perto das paredes pra “escorar” as costas. Em dia de chuva não tinha”, lembra a historiadora Yêdda.

Depois do Lacerda apareceram outros como, o Cine Parecis que teve vida efêmera. E então o Cine Rio, na avenida Carlos Gomes, primeira experiência cinematográfica para os jovens de 20 e poucos anos que moram em Porto Velho atualmente.

Hoje a capital conta com dois cinemas, o Cine Veneza e o Cine Araújo. Em breve a capital deve receber uma terceira opção, o Cine Laser.

O Veneza funciona há mais 35 anos em Porto Velho. Já o Araújo chegou há cerca de 10 anos, com o novo shopping da cidade.

Cena pós-crédito

Para a historiadora, a falta de detalhes, em alguns pontos, mostra a escassez de documentos e arquivos públicos sobre o cinema em Rondônia. O livro da professora introduz, mas não esgota o tema. Fica o alerta da importância da pesquisa histórica para se ter dados no futuro.

“Quando a gente não consegue ir nas fontes primárias, temos que ir às fontes documentais. Mas nesse caso eles deixam de citar muitas coisas. Em vários deixam de citar coisas simples, como, por exemplo, a capacidade de pessoas. A cultura de Rondônia é ampla e há necessidade de uma investigação sistemática”, diz.

Ela finaliza a entrevista lembrando que o cinema é importante, “Não é a toa que é chamado de arte. Ele é. E no Brasil todo precisa de fomento”.

Fonte: G1.Globo

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