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Preocupado com futuro da água na área rural, produtor adere a projeto de recuperação de nascentes em RO

Em uma propriedade rural em Porto Velho, dos cerca de 4 mil hectares de terra, mais de 1,7 mil hectares são de floresta preservada. Com a preocupação em produzir e preservar, o produtor rural de gado de corte da Fazenda Nova Conquista, Celso Ceccato, optou por aderir um programa de recuperação de nascentes. Atualmente, ele possui cerca de 2,5 mil cabeças de gado.

Na terra, as águas cristalinas brotam em 25 nascentes na fazenda. Há três anos, quando comprou a área, as fontes não tinha proteção para evitar serem pisoteadas pelo gado, e como se apaixonado por água, o pecuarista deu início ao trabalho para recuperar e preservar as nascentes.

“Eu sempre fui um fanático defensor de águas, águas cristalinas. Gosto de apreciar nascentes de água. Vendo que ela [a terra] tinha sido bastante devastada no tocante a suas nascentes, a seus igarapés, me trouxe o interesse de revitalizar essas nascentes”, conta Celso.

Para iniciar a revitalização de forma correta, foi necessário contar com o consultor florestal Adilson Pepino, que explica que quando os trabalhos foram iniciados não havia água nas nascentes todos os meses do ano.

“Aqui tinha produção em x meses e está aumentando gradativamente. Não é que vai implantar o projeto e no mesmo momento vai jorrar água, mas o objetivo da fazenda é produzir a água que ela consome, porque ela tem criação de gado e é do conhecimento de todos que para produzir 1 quilo de carne é consumido 15,4 mil litros de água”, diz o consultor florestal.

Com a ideia de produzir e preservar, surgiu o Projeto Beija Flor em Rondônia. O processo de recuperação e revitalização das nascentes começou na fazenda Nova Conquista com a análise do solo, e depois a área no entorno das fontes foi cercada. No local também foram plantadas diversas espécies de árvores.

“Foram plantadas espécies madeiradas e não madeiradas com o objetivo de conter a erosão. A gente utiliza o eucalipto para atrair inseto, porque com esse inseto vai vir o pássaro, que fará diferença. Se o produtor quiser plantar melancia, inhame, batata doce, já na implantação do projeto, nos primeiros três anos, ele pode plantar. Depois dos três anos já pode implantar o apiário. Em um futuro próximo teremos o sistema de integração pecuária e floresta, e produção de grãos a parte. A ideia da parte dos proprietários e a nossa também é produzir água para as próximas gerações”, conta Adilson.

Para recuperar as nascentes foi preciso fazer investimento em tecnologia. Com o gado longe das nascentes, foi necessário construir bebedouros. A água é distribuída em seis áreas chamadas de praças, com abastecimento em sistema de gravidade ou energia solar, como conta o zootecnista Luiz Henrique.

“Como o gado está longe das nascentes, de onde eles tinham essa oferta hídrica, como foram vedados esses locais, nós tivemos que fornecer água para eles, e água de boa qualidade”, fala.

Produção de carne aliada aos recursos renováveis do meio ambiente é o modelo de pecuária sustentável. Segundo o zootecnista, iniciativas assim mostram que é possível produzir e ao mesmo tempo preservar a Amazônia.

“Já se investe em qualidade de pasto, já investe em estrutura, já investe em cocho, então não adianta nada investir e otimizar a produtividade desses animais sendo que não se investe no carro principal que é a água. Isso é uma necessidade hoje. Nós temos que pensar em preservar para as gerações futuras, principalmente recursos hídricos, e a gente sabe da influência das matas para produzir água. Temos que ter esse compromisso em produzir com maior eficiência e também preservar o meio ambiente”, finaliza Luiz Henrique.

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