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Vênus poderia ter sido habitável no passado?

O planeta Vênus, quase um planeta gêmeo da Terra em termos de dimensões, é a própria filial do inferno, se me permite a comparação. Ele é demasiado quente, sua temperatura é constante pelo planeta inteiro beirando os 500º Celsius. Isso é alto o suficiente para derreter chumbo, por exemplo. A pressão atmosférica em Vênus equivale a 90 vezes a pressão atmosférica terrestre. Além disso tudo, adicione uma boa quantidade de ácido sulfúrico na atmosfera.
Um lugar desses não é habitável de jeito nenhum. Nem por sondas.
Nas décadas de 1970-80, a antiga União Soviética conseguiu o feito de pousar seis sondas em sua superfície. A sonda que resistiu mais tempo foi a Venera 13, que operou por 2 horas e 7 minutos! Mas poderia Vênus ter tido um passado, digamos, mais ameno a ponto de abrigar vida? E mais: como ele se tornou esse planeta inóspito que conhecemos hoje? Segundo uma pesquisa elaborada por Michael Way e Anthony del Genio, ambos norte americanos, Vênus era muito mais agradável no passado. De acordo com os pesquisadores, entre 4,2 e 3 bilhões anos atrás, havia um oceano cobrindo o planeta. Way e del Genio simularam a evolução de cinco cenários diferentes para Vênus: o primeiro com um oceano global raso, com profundidade média de 10 metros, o segundo com um oceano global com profundidade média de 310 metros e outro com água apenas no subsolo do planeta. Os outros dois cenários admitiam as condições terrestres de topografia para Vênus, mas um cenário com oceano de 310 metros de profundidade e outro sem continentes, apenas um oceano gigantesco com 158 metros de profundidade.
Em todos os casos as condições permaneceram estáveis durante as simulações. Ou seja, a água permanecia nos oceanos ou no subsolo. Quando as simulações chegaram ao valor de 700-720 milhões de anos no passado, os pesquisadores inseriram uma atmosfera composta de nitrogênio e oxigênio com pitadas de metano e gás carbônico, ou seja, a composição da atmosfera terrestre hoje. E o resultado permaneceu o mesmo: se tudo corresse como as simulações, hoje Vênus seria um planeta habitável, com temperatura média entre 20 e 50 graus.

Mas então, o que aconteceu?

Mais ou menos nessa marca de 700-720 milhões de anos atrás, a água deixou de existir em Vênus. Algum processo fez com que ela desaparecesse e provocasse esse imenso efeito estufa. Segundo os pesquisadores, houve uma súbita liberação de carbono na atmosfera vindo das erupções vulcânicas. Só que, por algum motivo, o tectonismo acabou muito rápido em Vênus, a lava se solidificou rapidamente e impediu que o carbono fosse reabsorvido e voltasse para o magma. Esse é o chamado ciclo do carbono, que produz um termostato natural que controla a temperatura na Terra. Quando tem muito carbono na atmosfera, o planeta esquenta muito, o carbono se fixa mais em animais, plantas e rochas, chove mais, e a chuva arrasta esses animais, plantas e rochas para o oceano, levando junto o carbono. Depois de milhões de anos, esse carbono todo volta para o magma e fica preso no subsolo. Com menos carbono na atmosfera, o processo se inverte, fica mais frio, chove pouco e os vulcões acabam repondo o carbono.
No caso de Vênus, como o magma se solidificou, o carbono não voltou para o subsolo. Mas, com os vulcões ainda ativos, ele continuou sendo despejado na atmosfera. Isso provocou um efeito estufa galopante e, como efeito, a camada de nuvens foi ficando cada vez mais espessa, impedindo o calor de escapar para o espaço. Isso explica bem como se deu o processo de aquecimento atmosférico e desaparecimento da água, mas não explica o que aconteceu com o tectonismo. É esperado que em algum momento ele se acabe mesmo, conforme o magma for esfriando. Mas esse é um processo que é diretamente relacionado ao tamanho do planeta.
Planetas grandes devem demorar mais para perder o tectonismo. Marte, que é menor que a Terra, já não tem mais. Mas Vênus tem quase o mesmo tamanho que a Terra. Se a Terra ainda tem tectonismo, Vênus também deveria ter.
A resposta para essa questão só virá com sondas que consigam pousar na superfície de Vênus e que consigam resistir por muito tempo. Essa é uma tarefa muito difícil de alcançar: não há equipamento científico que aguente e isso será o desafio para as próximas décadas. Fonte: G1.Globo

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